domingo, 12 de julho de 2015

A propósito de: Rip Rig & Panic - God (3ª parte)

Pela primeira vez disponível em CD oficial desde a sua edição em 1981, God é o disco síntese da evolução do Punk para as extraordinárias experiências do seu pós (aceita-se Sextet, dos A Certain Ratio, como alternativa à altura) e a prova da existência de organismos quase invisíveis – pois largamente ignorados na vigência do período jurássico –, avidamente observados e reconhecidos nos anos da rebelião dos Sex Pistols. Assim, ao longo de God finca-se o corpo no frenesim rítmico que o Punk resgatou, franquea-se a alma ao sabor de paragens distantes (África; Oriente; Jamaica), abraça-se o Funk mais afiado, ajusta-se a espontaneidade do Jazz à medida desejada e não falta sequer a solidão do fraseado de um piano. Depois, no coração da música, opera-se a espantosa inserção das vozes de Neneh Cherry e de Ari Up, num jogo de instrumentos e vocábulos ora entrelaçados, ora arremetidos uns contra os outros, essencialmente radiosos, mas também tocados pela melancolia, sons e palavras num dilúvio de 40 minutos que se assemelha a uma escultura mutante forjada pela porção mais irreverente da natureza humana.



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