Pela
primeira vez disponível em CD oficial desde a sua edição em 1981, God é o disco
síntese da evolução do Punk para as extraordinárias experiências do seu pós
(aceita-se Sextet, dos A Certain Ratio, como alternativa à altura) e a prova da
existência de organismos quase invisíveis – pois largamente ignorados na
vigência do período jurássico –, avidamente observados e reconhecidos nos anos
da rebelião dos Sex Pistols. Assim, ao longo de God finca-se o corpo no
frenesim rítmico que o Punk resgatou, franquea-se a alma ao sabor de paragens
distantes (África; Oriente; Jamaica), abraça-se o Funk mais afiado, ajusta-se a
espontaneidade do Jazz à medida desejada e não falta sequer a solidão do
fraseado de um piano. Depois, no coração da música, opera-se a espantosa
inserção das vozes de Neneh Cherry e de Ari Up, num jogo de instrumentos e
vocábulos ora entrelaçados, ora arremetidos uns contra os outros, essencialmente
radiosos, mas também tocados pela melancolia, sons e palavras num dilúvio de 40
minutos que se assemelha a uma escultura mutante forjada pela porção mais
irreverente da natureza humana.
Sem comentários:
Enviar um comentário