Subservientes ou
transgressoras, demasiado zelosas da integridade original ou habitadas por uma
pulsão transformadora, a verdade é que há versões para todos os paladares. As melhores
– ou, nalguns casos, as que beneficiam de um favor público inesperado – podem
mesmo ganhar vida própria, obscurecendo os criadores primitivos. Nos exemplos
mais radicais, algumas até passam a matriz, como Hey Joe, que não sendo
originalmente de Jimi Hendrix, é como se lhe pertencesse. Ainda que não
disponhamos de fórmulas seguras, talvez a imponderabilidade possa ser o melhor
trunfo no desenho de uma versão. O Corpo Diplomático sabia-o perfeitamente
quando reviu Engrenagem, de José Mário Branco.
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