sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Versões há muitas 1

Subservientes ou transgressoras, demasiado zelosas da integridade original ou habitadas por uma pulsão transformadora, a verdade é que há versões para todos os paladares. As melhores – ou, nalguns casos, as que beneficiam de um favor público inesperado – podem mesmo ganhar vida própria, obscurecendo os criadores primitivos. Nos exemplos mais radicais, algumas até passam a matriz, como Hey Joe, que não sendo originalmente de Jimi Hendrix, é como se lhe pertencesse. Ainda que não disponhamos de fórmulas seguras, talvez a imponderabilidade possa ser o melhor trunfo no desenho de uma versão. O Corpo Diplomático sabia-o perfeitamente quando reviu Engrenagem, de José Mário Branco.






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