Como tantos outros do
Hip Hop, Kendrick Lamar também vem de Compton, Los Angeles, mas não posa, como
prescreve a cartilha, feito pistoleiro com pretensões a estrela de Hollywood. Quase
como um paradoxo, o segredo está em não deixar de ser o que é – a rudeza da
linguagem e o imaginário de um quotidiano violento comparecem –, só que Lamar
sabe repartir sabiamente as palavras pela música, afastando-se da tendência
panfletária debitada maquinal e exaustivamente por companheiros do estilo: o
sexo feminino equiparado a mera carne, carros, joias, armas, cadáveres de
inimigos abatidos... Com o seu sentido estético, Lamar empresta ao linguajar de
rua uma rara nobreza poética.
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