terça-feira, 26 de agosto de 2014

Kendrick Lamar, do gueto para a poesia

Como tantos outros do Hip Hop, Kendrick Lamar também vem de Compton, Los Angeles, mas não posa, como prescreve a cartilha, feito pistoleiro com pretensões a estrela de Hollywood. Quase como um paradoxo, o segredo está em não deixar de ser o que é – a rudeza da linguagem e o imaginário de um quotidiano violento comparecem –, só que Lamar sabe repartir sabiamente as palavras pela música, afastando-se da tendência panfletária debitada maquinal e exaustivamente por companheiros do estilo: o sexo feminino equiparado a mera carne, carros, joias, armas, cadáveres de inimigos abatidos... Com o seu sentido estético, Lamar empresta ao linguajar de rua uma rara nobreza poética.  



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