sexta-feira, 10 de julho de 2015

A propósito de: Rip Rig & Panic - God (2ª parte)

É verdade que a tempestade se nutria de slogans razoavelmente monolíticos, gerados a partir de uma amálgama de ideias em muito devedoras à cerveja, mas a tutela dos antigos foi-se quebrando e um amplo horizonte tomou conta de um espaço anteriormente inexistente. Quando o Punk se eclipsou (é bem sabido que ele não sobreviveu após 1978, descontando-se, bem entendido, as caricaturas a traço grosso), as sementes libertárias jogadas ao vento estavam já bem disseminadas pelo Reino Unido e a criação musical ganha uma expressão invulgarmente localista. A mitologia eternizou, via Factory Records, Manchester, mas Londres ousava mais: Metal Box (1979), dos PIL, ou os discos homónimos dos This Heat e dos Flying Lizards, o primeiro também de 79, o outro chegado 1 ano depois. Numa Sheffield industrialmente decadente fazia-se fé na veia poética das máquinas, ideia largamente importada de Dusseldorf. Fora dos centros habituais, a vida dava à costa nos lugares mais improváveis e Cardiff lega à história da pop o silêncio peculiar dos Young Marble Giants, mas, talvez, em nenhum outro sítio tanto terá sido feito como em Bristol, pedaço do sudoeste inglês: The Pop Group, Glaxo Babies, Maximum Joy e, principalmente, Rip Rig & Panic.



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