quarta-feira, 8 de julho de 2015

A propósito de: Rip Rig & Panic - God (1ª parte)

Na história da música popular há pequeníssimos gestos capazes de gerar a mais improvável das tormentas, afiados momentos dotados de uma força transformadora passível de desmoronar as fortalezas mais inexpugnáveis. Em Agosto de 1975, um jovem de 19 anos calcorreava King´s Road, no bairro londrino de Chelsea, desafiando os deuses com um curto e belicoso “I Hate” estampado numa t-shirt do grupo Pink Flody. A custo (quase) zero começava então uma revolta operária contra as certezas graníticas do rock dos anos setenta e o aparato tecnológico que o sustentava é posto em sentido pela simplicidade guitarra eléctrica/baixo/bateria. Os Sex Pistols viveram pouco tempo (1975-1978) e publicaram apenas um LP em 77, mas a golpes certeiros de navalhadas sónicas, devidamente temperadas por quantidades apreciáveis de saliva, inventaram o aluvião que irrigará uma geração temporariamente Punk, que logo depois intuiu o verdadeiro sentido do desafio lançado por Johnny “Rotten” à cartilha de setenta. Os velhos heróis do rock progressivo não desapareceram, mas a sua influência minimalizou-se – embora os anos tenham devolvido, no corpo de alguns vencedores do presente, o seu narcisismo cénico –, ao mesmo tempo que o epíteto de “dinossauros” os transforma numa coisa que experimenta a contradição da convivência entre o batimento cardíaco e o fim, irreversível, de uma época.



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