domingo, 12 de outubro de 2014

O hippie a quem chamaram punk

As capas, tal como as aparências, podem muito bem iludir. Na de Forever Changes (1967), dos Love, de Los Angeles, figura uma composição colorida dos rostos dos seus músicos, desenlace gráfico que se tomaria por mais uma prova do esplendor psicadélico daquele tempo, violentamente encerrado em 1969 no Festival de Altamont – um homicídio durante a atuação dos The Rolling Stones e várias mortes acidentais. Mas para lá da capa, a matéria é outra e Forever Changes não é uma ode alucinada ao verão californiano, mas um disco atravessado pela paranóia e por uma visão cinzenta da natureza humana. O vocalista Arthur Lee autointitulou-se o primeiro hippie negro, embora a sua descrença estivesse bem mais próxima do niilismo proclamado, 10 anos depois, pelo Punk.



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