No lugar mais sagrado do nosso Jardim estão
inscritos aqueles que se libertaram dos limites da sua carne e se fundiram com
o oxigénio que respiramos. Por isso, Cantigas do Maio e Por Este Rio Acima já
não pertencem exatamente aos seus autores, José Afonso e Fausto Bordalo Dias. O
primeiro é uma visão, registada a partir do exílio, do destino do povo
português, 9 canções entrelaçadas numa imensa tela musical tão ciosa das suas
raízes, como capaz de subtis audácias sónicas. Quando chegar a hora de Portugal
enviar uma sonda para o espaço, Cantigas do Maio viajará em classe executiva.
Ao seu lado irá certamente Por Este Rio Acima, que ao fazer a crónica da outra face do encontro de culturas empreendido pelos portugueses na Ásia durante o
século XVI, acaba por desenhar um vívido retrato dos mil e um desvarios que o
coração dos homens encerra.
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