Há
muitas formas de vasculhar o passado. Talvez a mais singular seja trazer à
superfície aquilo que apenas o saber dos compêndios guarda. Por
isso, lembrar um tempo há muito ausente não pode ser
confundido com um gesto puramente revivalista, ainda mais se o passado nos
devolve uma subversão ignorada. E se os deuses estiverem de feição, talvez umas
gramas da transgressão original abençoem quem relembra o que ficou lá
atrás. Por exemplo, o casal Hugo Ball/Emmy Hennings montou o seu palco Dada – o
Cabaret Voltaire – em Zurique em plena 1ª Guerra Mundial e, 60 anos volvidos,
três jovens da lúgubre Sheffield escolheram o nome da velha casa suíça para
mergulhar nas manobras subversivas da primeira (e, na verdade, talvez única)
geração da música industrial. Resta saber se a mais viva radicalidade
dos Cabaret Voltaire (ativa nos anos 70 – colagens, ruído, poesia das máquinas
–, da qual Yashar já não faz parte) seria suficiente para participar, nem que fosse, na mais
pacata sessão das loucas noites de Zurique.
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